É fato que a mídia tem um papel controlador na sociedade no momento em que ajuda a formar a opinião, mas até onde vai esse controle? Será que o público consegue separar o que há de bom e ruim entre tudo que é transmitido?
Já que estamos falando de Jornalismo Moderno, existe um fator importantíssimo desta época que devemos considerar: a tecnologia. Com todos os avanços tecnológicos, entramos na “era digital”, a era da internet.
Os jornais on-line, ao contrário dos outros meios de comunicação, oferecem muito mais informação e com muito mais velocidade ao seu leitor. Por causa disso, comparado ao século passado, poucas as pessoas esperam o jornal do dia seguinte ou o programa da noite para saber mais sobre alguma coisa.
Com a tecnologia, a notícia se tornou instantânea e cada vez mais “descartável”, visto que a velocidade com que a informação é produzida pode implicar a falta de apuração e a queda de qualidade da mesma. A questão fundamental é saber se o que é divulgado puramente verdade…
Ignacio Ramonet, em “A Tirania da Comunicação” conta que para conseguir destaque, alguns jornalistas já “criaram” reportagens, inventaram dramas pessoais e comoveram centenas de espectadores. Quando descobertos, foram demitidos, perderam tanto a própria credibilidade quanto a do veículo do qual faziam parte.
Além disso, o que vemos no jornalismo moderno é uma exposição sensacionalista de fatos, como se quem procura por notícia procura algo impactante, chocante ou anormal. Nesse caso, a mídia não deixa de inventar ou manipular o que é veiculado para conseguir audiência.
A imprensa ainda assume o controle da política, produzindo grandes reportagens sobre escândalos e fraudes políticas, ou até mesmo apoiando determinados candidatos. Um exemplo dessa força é citado no livro “História da Imprensa no Brasil”, (MARTINS; LUCA, 2008, Ed. Contexto), sobre Fernando Collor de Mello:
(…) A corrupção institucionalizada e o autoritarismo do governo Collor, contudo, provocaram o divórcio entre criador e criatura, levando a primeira a capitanear a campanha pelo impeachment.
Essa posição mostra o controle da opinião pública exercida pela mídia, de modo a transformar o herói em vilão rapidamente e levar a população às ruas.
O jornalista, mesmo sendo a ponte para a divulgação das notícias, passa por uma censura interna, dentro do veículo onde trabalha. Ramonet diz que nos Estados Unidos o termo que designa o profissional hoje é media worker, pelo fato da matéria passar por várias mãos antes de chegar ao público, de forma que a identidade do autor não seja revelada (basta olharmos nos jornais e na internet quando uma matéria é assinada pela redação local.). E essa censura também é uma forma de controle da informação, para que o que é divulgado não saia dos parâmetros do veículo, quando esse pode sofrer pressões ou controle político.
A mídia tem a capacidade de se alterar (e ser alterada) de acordo com a situação mundial. As novas tecnologias trazem benefícios aos que sabem aproveitá-la e não devem ser vistas e utilizadas como ameaça aos profissionais e ao público, que confia e depende desses profissionais.
Os próprios portais de web-jornais, programas de rádio e televisão estão começando a interagir com seu público sem perdê-lo. A utilização da tecnologia é muito mais válida nesse sentido, quando acontece a união de mídia, jornalista e técnica, do que quando a “facilidade” e agilidade corrompem e desvirtuam o produto final da informação, que é o conhecimento do público.
Fontes (livros):
A Tirania da Comunicação – Clique aqui
(Ignacio Ramonet, EditoraVozes, 2007)
História da Imprensa no Brasil
(Ana Luiza Martins e Tania Regina de Luca, Editora Contexto, 2008)
(Por: Gabriela Gonçalves e Ana Paula Pascoaletto)